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Feirantes, crianças de rua e situações cotidianas é o que torna a obra de Renata Menezes o primeiro traço bem acabado para transcendência da arte. Nisso tudo, aqui se encontra a figura humana no prosaico, sem qualquer intenção de ascender, basta o simples fazer diário para que se possa extrair a beleza de sua pintura.
O descartável se torna arte através de pinceladas quase aquareladas, onde as manchas desporvidas de uma intenção são imediatamente transformadas em fatos propositais.
Sua pintura nos obriga a olhar com o cérebro, criando um jogo lúdico entre o prazer da visão e a descoberta da simplicidade. Com uma obra contemporânea, a emoção se soma à razão para gerar uma linguagem figurativa sem receitas teóricas nem regras fundamentadas. A precisão de forma inesperada, que caracteriza seu trabalho majestoso, não elimina a matéria sabia das composições, nem o colorido simples que nos envolve.
Renata espreita o milagre, o encontro feliz, as sombras que se misturam, o imprevisto que atrai e também o que é obscuro. A fragilidade e a poesia são o enigma e o segredo que torna sua obra um cenário impressionista contemporâneo, que valorizam as formas estéticas, as utopias sociais e a excelência sólida no resultado final, tornando-a assim uma artista de referência com todas suas alusões ao cotidiano.
Glauco Moraes
Curador e crítico de arte
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